Breve dicionário gauchesco

Viajar pelo Rio Grande do Sul é descobrir toda a beleza e diversidade que o estado possui. Da serra ao litoral, são paisagens únicas, visuais deslumbrantes, prédios históricos, monumentos, parques e praças que encantam o viajante e enchem de orgulho o povo gaúcho.
Mas viajar pelo Rio grande do Sul pode ser também uma bela aventura linguística. Aqui existem expressões típicas e palavras que não são utilizadas em nenhum outro lugar do Brasil.
O povo gaúcho é acolhedor e tem tantas maneiras de falar, que é quase impossível chegar nesta querência amada e não agradecer ao patrão velho pela acolhida recebida nos galpões deste rincão, ou por um finde para comer umas bergas, e tomar um chimas lagarteando ao sol.

Se você não entendeu muito bem a frase acima, fique calmo, nós elaboramos um breve dicionário gauchesco para te ajudar.

Alcançar: palavra usada pedir alguma coisa, o mesmo que “me passa” ou “me empresta” Ex: Tu podes me alcançar um talher
Amargo: equivalente a chimarrão
Apanhar: levar uma surra
Apavorada: assustada, chocada
Arrecém: expressão utilizada para dizer que algo aconteceu há pouco. Ex: “Ele arrecém saiu de casa.”
Atucanado: pessoa cheia de problema, atrapalhada, preocupada
Arriar, se arriar: o mesmo que zoar ou abusar de alguém. EX: “Tu está te arriando no teu amigo”. Pode ser usado também como “adjetivo” “Tu é um cara arriado demais”, o mesmo que abusado demais
Bagual: bom, excelente
Bah: expressão típica sem tradução, usada normalmente no começo de uma conversa ou como interjeição: “Bah guria, nem te conto..” ou “Mas bah!”
Baita: grande, crescido
Barbaridade: expressão típica, usada como interjeição de espante. “Mas que barbaridade”
Bergamota: o mesmo que tangerina
Branquinho: doce de festa, o mesmo que beijinho
Brigadiano: policial da brigada militar
Bolicho: botequim, boteco
Bombacha: roupa típica do traje do gaúcho, calça larga com detalhes dos lados
Borracho: bêbado
Bueno/Buenacha: bom, muito bom
Cacetinho: pão francês
Cadeira: disciplina que se estuda na faculdade
Cagaço: susto
Capaz: o mesmo “imagina” ou “até parece”. Interjeição de desaprovação ou aprovação de algo. “Bem capaz que vou perder essa festa”
Chimarrão: bebida típica gaúcha
Chimia: doce ou geleia
China/chinoca: mulher
Churrasco: comida típica, carne assada
Cusco: cachorro
Desabar o tempo: Chover forte
Deus-zulivre: expressão típica usada o mesmo que “Meu Deus”
Encarangado: com frio
Empenhado: ficar na mão, passar por algum problema
Esgualepado: desarrumado, feio
Faceiro: alegre
Fatiota: traje de festa
Fiasco: mancada
Galpão: construção típica das estâncias
Guaipeca: cachorro vira lata
Guapo: bonito, forte
Guri/guria: menino/menina
Judiado: machucado, malcuidado
Kerb: festa típica alemã, o mesmo que quermesse
Lábia: bom papo
Lomba: ladeira
Macanudo: Designa alguém bonito
Manta: cobertor pequeno ou echarpe
Massa: macarrão
Mate: mesmo que chimarrão
Naco: pedaço
Negrinho: doce brigadeiro
Oigalê: expressão de alegria ou espanto
Pago: lugar
Pandorga: pipa
Pechada: batida, acidente
Patrão Velho: Deus
Peleia: briga
Querência: terra natal
Ratear: dar bobeira
Relho: chicote
Rincão: recanto, lugar
Sanga: pequeno curso de água
Sestear: dormir depois do almoço
Sinaleira: semáforo
Surungo: arrasta pé, festa
Tchê: expressão típica
Torrada: misto quente
Trovar: conversar ou passar uma cantada em alguém
Tri: prefixo utilizado pelo gaúcho para reforçar algo, “tri legal”, “tri bom”
Varar: cruzar. Ex: “Varei a noite estudando.”
Veranear: passar o verão
Vianda: marmita
Vivente: pessoa
Xarope: adjetivo como ruim. Ex: “Que guri xarope esse”
Xis: hambúrguer
Xucro: adjetivo que pode ser usado para pessoas: acanhado, tímido ou com animais: arisco, não domado

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